Brasil como referência em ciência humanitária

Ricardo Valentim, do LAIS, acredita que os brasileiros podem
transformar o olhar da tecnologia de saúde

Em palestra realizada na manhã desta quinta-feira (23) durante o 7º CIMES, Ricardo Valentim, coordenador do LAIS (Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde) apresentou uma nova forma de enxergar a inovação e os avanços tecnológicos. Em um cenário no qual muitos se questionam se as máquinas substituirão os seres humanos ou mesmo se com a chegada de inteligência artificial teremos uma nova leva de desempregados no mundo, Valentim faz questão de afirmar que é possível enxergar, nessa lacuna, uma nova oportunidade.

“Se eu gero um dispositivo que gera desemprego, onde estão os profissionais que estão pensando nessa reordenação da força de trabalho?”, apontou ao afirmar que a ciência humanitária chega como uma força mais ampla e antidisciplinar que pensa o todo e trabalha economia, sociedade e desenvolvimento em prol do ser humano.

Destacando que o brasileiro tem um perfil mais humanitário, o doutor em Engenharia Elétrica e de Computação pela UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte) acredita que o Brasil pode começar a trabalhar os conceitos de ciência humanitária e pode chegar, inclusive, a ser referência mundial no assunto. “Podemos ser os melhores pois temos muitos problemas no nosso país. E problema é o melhor estímulo à inovação, é o que nos tira da inércia. Somado a isso, temos cidadãos com vocação para fazer o bem”, disse.

Como fator decisivo para elevar o Brasil à essa potência, Valentim afirma que é preciso transformar o atual cenário. “Para que tenhamos o Brasil como referência internacional em ciências humanitárias, é preciso pautar o tema como política de estado”. E, segundo ele, quando chegarmos a esse momento, será possível produzir riqueza justa e distribuível, além de promover o desenvolvimento social e econômico.

Sobre os recursos para inovar, Ricardo acredita que eles estão disponíveis, o que falta são bons projetos para utilizá-los. “Nosso principal financiador é o SUS. É do sistema único de saúde que recebemos a demanda para entregar um produto. Sempre achei que a saúde tem um projeto de pesquisa muito mais perpétuo, impactante, social e nobre. Hoje, nosso orçamento já passa dos R$ 200 milhões. Recursos existem, o que não existem são projetos realmente importantes. Tudo isso pois somos criados, dentro do mundo acadêmico, para vender nossos sonhos para os outros. Ninguém quer realizar o sonho alheio. Nós, do LAIS, já aprendemos isso”.

Convênio com ABIMO impulsiona pesquisa – Com orçamento de R$ 3 milhões, convênio entre ABIMO, LAIS, Funpec (Fundação Norte-Rio-Grandense de Pesquisa e Cultura) e UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte) foi assinado durante o 7º CIMES. Com a presença de Franco Pallamolla e Paulo Henrique Fraccaro, respectivamente presidente e superintendente da ABIMO, e de Ricardo Valentim, o acordo apoiará ações de identificação e controle de Sífilis congênita. Clique AQUI para saber mais.