Integração entre os players otimiza acesso a financiamento

A reunião e o contato entre todos os atores da cadeia de saúde gera projetos mais bem estruturados na chegada à solicitação por aportes públicos ou privados

A última edição do CIMES (Congresso de Inovação em Materiais e Equipamentos para Saúde) realizada em agosto deste ano deixou claro um dos entraves para a inovação: a falta de integração e de contato entre os players envolvidos na cadeia produtiva para que o país avance em novidades tecnológicas. Hoje vivemos em um cenário no qual a inovação está limitada a nascer na academia e, depois de concebida, encontra dificuldades de chegar à indústria que poderia produzi-la em larga escala.

Esse entrave é encontrado em todos os subsetores da saúde que acabam por patinar na busca por inovação. Reconhecendo a necessidade do governo também se colocar à disposição do setor, João Paulo Pieroni, do BNDES, enfatiza a importância do termo inglês “learning by using”, que diz respeito à inovação que parte do aprendizado, algo que só é possível atingir quando há uma boa integração entre todos os players do segmento. “Nas rodadas de negócios que promovemos durante o estudo “Internet das Coisas: um plano de ação para o Brasil” nosso grande desafio foi colocar todos os envolvidos juntos, em contato. O hospital de referência, o hospital público e o filantrópico para se unir aos outros atores. Na saúde, as inovações são geradas pelo usuário e essa interação e indispensável”, declara.

Com forte atuação na busca pela cultura de inovação, a ABIMO realiza eventos como o CIMES que têm, justamente, o intuito de promover esse encontro. “O CIMES nasceu com a missão e o objetivo de aproximar os elos da cadeia da saúde. A ideia de reunir em um mesmo ambiente empresas, centros de pesquisa e governo é fundamental para criarmos um ecossistema propício à inovação”, comenta o diretor institucional da entidade, Márcio Bosio, sobre essa característica do setor que carecia de um espaço para refletir e discutir iniciativas visando seu próprio desenvolvimento.

Em termos de financiamento, a integração entre os diversos atores da cadeia também funciona como uma espécie de gatilho facilitador. Analisando a perspectiva do BNDES repassada por Pieroni, quando a inovação nasce na academia ou na indústria e chega ao público final por meio de um hospital ou centro de atendimento graças a um piloto, o projeto que será redigido para solicitar o financiamento público contará com muito mais detalhes e informações sobre seus reais benefícios à sociedade e suas chances de sucesso durante a aplicação. “Os bons projetos que temos visto são aqueles em que a empresa tem, como parceiro, um hospital para desenvolver um piloto daquela tecnologia”, comentou em sua apresentação durante o CIMES.

Seguindo sua atuação para aproximar todos os envolvidos da cadeia de saúde, a ABIMO segue investindo no CIMES e em seus desdobramentos. “A rodada tecnológica nasceu para aproximar a indústria dos centros de pesquisa e a ação está dando muito certo”, declara Bosio sobre a rodada que, neste ano de 2017, realizou 118 reuniões ao longo dos dois dias de evento. “Acredito que ainda conseguiremos explorar melhor a experiência dos hospitais e dos planos de saúde, pois são eles que utilizam as tecnologias desenvolvidas pela indústria e é durante o uso dessas tecnologias que torna-se possível identificar melhorias bem como a necessidade de novas produções mais adequadas às suas necessidades”, complementa o diretor sobre a tendência de abranger também os usuários finais no congresso.

Parcerias que cooperam pela inovação – Ainda durante o CIMES, a ABIMO e a USP assinaram um termo de cooperação em prol da inovação. O acordo, que visa incentivar a pesquisa e o desenvolvimento de novas tecnologias na área de saúde, promoverá a troca de informações, conhecimento e experiências entre os pesquisadores do Gaesi (Grupo de Automação Elétrica em Sistemas Industriais), da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, ampliando a ponte entre a academia e a indústria. O termo da parceria terá vigência até dezembro de 2021.