Novos modelos para garantir sustentabilidade na saúde

Discutir práticas de remuneração e inovação podem garantir o futuro da saúde no Brasil

O segundo dia de CIMES foi marcado por discussões que envolveram temas voltados para saúde 4.0, manufatura aditiva e inovação e seus desafios. Ainda na primeira etapa do segundo dia de congresso, a ABIMO apresentou o painel “A inovação que o Brasil já realiza – cases de sucesso da indústria médico-hospitalar”.

Durante a discussão, moderada pelo diretor-presidente da Embradii, Jorge Almeida Guimarães, ganharam destaque dois temas, fontes de fomento e financiamento à inovação e modelos de pagamento como bundle payment, apresentado pelo Grupo Santa Celina.

O diretor executivo da BrainCare, empresa vencedora da edição 2017 do Prêmio Inova Saúde, Arnaldo Beta, mostrou ao público o processo de desenvolvimento do sistema de monitoramento de pressão intracraniana, com tecnologia 100% brasileira e que, ao contrário de outros métodos, não exige qualquer tipo de incisão ou método invasivo.  “Entre muitos desafios, notamos que a saúde, tanto no Brasil quanto no mundo, apresenta problemas relacionados à prevenção, redução de custos e ampliação do acesso. Problemas complexos, mas que podem ser sanados com o apoio de políticas eficientes e tecnologia”, acrescenta o executivo.

Além do case apresentado pela BrainCare, outros casos de sucesso da indústria médico-hospitalar contemplaram o público. Anderson Luis Zanchin, gerente de engenharia da MM Optics e a coordenadora de pesquisas da Braile Biomédica, Glaucia Basso Frazzato, discutiram erros e acertos nos processos de inovação, além de desafios como falta de mão de obra qualificada, situação econômica do País, fomento e investimentos para pequenas e médias empresas.

Na contramão dos cases de indústria apresentados durante o painel, o Grupo Santa Celina, empresa que atua nos segmentos de promoção, prevenção e atenção domiciliar, mostrou como um modelo inovador pode influenciar a qualidade assistencial e impactar, positivamente, o modelo de negócio e pagamento dentro da saúde.

De acordo com a executiva da empresa, Ana Elisa Siqueira, é preciso mudar o atual modelo assistencial encontrado no Brasil. “O grande problema hoje está na guerra de preços e honorários praticados pelas operadoras que, cada vez mais, exigem menor remuneração e grande produtividade independente da qualidade assistencial. Essa questão precisa amadurecer muito e modelos como o de bumble payment – valor fixo dividido entre os agentes participantes do processo assistência – podem ser uma alternativa viável de ganha-ganha.”