O futuro que já está acontecendo

Tecnologia FullFace analisa até 1024 pontos na face e gera, em tempo real, medidas e proporções que possibilitam a criação de um código único para cada indivíduo

Com a palestra “O futuro que já está acontecendo”, Danny Kabiljo e José Soares Guerrero, da FullFace Biometric Solutions – empresa especializada na identificação de pessoas através de algoritmo proprietário de biometria facial –, inauguraram na manhã da quarta-feira, 22, o ciclo de palestras do 7º CIMES (Congresso de Inovação em Materiais e Equipamentos para Saúde), evento organizado pela ABIMO (Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios).

Criada em 2012, a empresa é responsável pelo desenvolvimento da tecnologia FullFace, um software de biometria facial, 100% brasileiro, que pode ser aplicado para o reconhecimento de pessoas em diversos setores, incluindo o de saúde, com excelente nível de acurácia (99% de assertividade). “Essa precisão é possível porque a tecnologia FullFace se baseia em pontos que analisam a estrutura óssea do indivíduo, e não apenas a sua fisionomia. O software analisa 1024 pontos na face e gera, em tempo real, medidas e proporções que possibilitam a criação de um código único para cada indivíduo. A vantagem é que você consegue, por exemplo, identificar duas pessoas muito parecidas, ou até mesmo gêmeos idênticos” explica Kabiljo.

O executivo afirma que o mundo está mudando muito rapidamente devido ao processo de inovação tecnológica e que é necessário para as empresas entender e acompanhar essa evolução. “Nós já estamos vivendo o futuro. Quando falo da FullFace, consigo trazer uma reflexão que o futuro é o presente. E neste contexto, é fundamental entendermos que a tecnologia já está aqui dentro, no nosso dia a dia, só que muitas vezes nós não a percebemos”, diz Kabiljo. Guerreiro concorda com o sócio e acrescenta que “em função dessa transformação tecnológica, hoje temos um volume muito grande de dados sendo processados. Porém, esses dados ainda não estão modernizados de maneira coerente e acessível a todos, dificultando, por exemplo, uma análise mais profunda de tendências, o que impacta os processos de tomada de decisão.”

Funcionamento

Uma das vantagens da tecnologia FullFace é a fácil integração com hardwares de captura de imagem, incluindo smartphones e tablets, gerando um arquivo leve, com baixo consumo de memória e alta velocidade de processamento. Após ser capturada, a imagem é convertida em dados. A partir das medidas e proporções do rosto, o sistema plota na face 1024 pontos, e gera um código que será o CPF facial daquele indivíduo. A identificação é transferida ao banco de dados e pode ser acessada tanto com aplicações locais ou remotamente, via nuvem.

Uma vez que a identidade é gerada, é possível fazer inúmeros cruzamentos e aumentar as chances de análise em um ambiente, uma vez que o reconhecimento facial acontece em tempo real. É factível, por exemplo, realizar ações como a liberação de uma catraca, enviar alertas, SMS etc. Tudo isso preservando a privacidade da pessoa, já que o sistema não permite a engenharia reversa (o número não pode ser transformado na foto da pessoa).
Vale destacar ainda, que o sistema interfere minimamente na rotina de cada indivíduo, possibilitando a identificação em movimento, e que é possível identificar grupos de até 256 pessoas, simultaneamente, e um velocista até 17 km/h. E, ao contrário de outros softwares de identificação que são afetados por mudanças na estrutura física do indivíduo, como idade, implantes e cirurgias plásticas, o FullFace consegue preservar os dados por muitas décadas, caso não ocorram acidentes que interfiram na estrutura óssea dessa pessoa.

Aplicação na saúde

Conforme a apresentação feita por Kabiljo e Guerreiro, a adoção da tecnologia FullFace permite otimizar uma gama de processos burocráticos em hospitais e instituições de saúde, aumentando ainda a segurança do paciente e garantindo redução no número de fraudes nos planos de saúde. A tecnologia também pode ser aplicada na área de medicina diagnóstica, auxiliando o corpo clínico na identificação de enfermidades.
Uma das aplicações mais interessantes, mencionada por Kabiljo, está no auxílio à medicina direta por meio da colaboração na construção de próteses. “Como temos muitos detalhes da face e da estrutura óssea, acreditamos que essa é uma aplicação possível”, comenta, lembrando que também é viável instituir o reconhecimento facial para análises fisiológicas e como auxílio ao diagnóstico de síndromes. Nos EUA, por exemplo, pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisa do Genoma Humana (NHGRI na sigla em inglês) aplicaram um algoritmo de reconhecimento facial para detectar a síndrome de DiGeorge, uma mutação genética rara (no cromossomo 22) de difícil diagnóstico que tem, como principais características, algumas anomalias faciais e pode gerar problemas respiratórios, atraso na fala e infecções frequentes.

Outro destaque na área da saúde, apontado por Guerreiro, é o uso da tecnologia na determinação de prótese dentária em função do reconhecimento facial. “Estamos desenvolvendo um trabalho nesse segmento, em parceria com uma universidade, que mostra como é possível fazer todo um trabalho prévio com o paciente por meio de análise de vídeo, determinando através das características fisiológicas da face, o tipo de prótese que melhor se adaptaria àquele indivíduo”, sublinha o profissional.

Já para o paciente, usuário final da saúde e de todo seu empenho tecnológico, Kabiljo afirma que aplicar o reconhecimento facial como uma chave importante do prontuário digital, bem como para a realização de exames e para ministrar medicamentos controlados e específicos, aumentará e muito a segurança.

Já dentro da estrutura organizacional de um hospital ou instituição de saúde, a tecnologia de biometria facial pode ser usada para reduzir o número de fraudes. “Eliminamos as carteirinhas, passando a utilizar a própria face do indivíduo para autorizar qualquer consulta ou procedimento”, ressalta Kabiljo. “Mas sem tratar o paciente como um número, como é feito hoje na maioria das instituições. Com a aplicação do FullFace é possível agilizar ainda mais o atendimento, porém tornando-o mais humano por meio da personalidade da pessoa.