Por que e como inovar na odontologia

Cases de sucesso nacionais são pano de fundo de talk show durante o CIMES

O CIMES recebeu na manhã dessa sexta-feira (18) representantes da indústria odontológica nacional para que falassem de seus cases e experiências inovadoras nessa área, que é uma das mais promissoras e pujantes do setor da saúde.

Moderados pelo advogado sócio do escritório Braga & Carvalho Advogados, Marco Aurélio Braga, os representantes das empresas Alliage, Aditek, Nacional Ossos, Heal Tech e SIN Implantes falaram um a um sobre o caminho percorrido por seus produtos desde a ideia até o nascimento.

Provocados por Braga, os participantes foram unânimes em dizer que inovar no país vai além da questão da necessidade. Está no DNA de suas empresas.

FINANCIAMENTO E PARTICIPAÇÃO ESTRANGEIRA

Um dos gargalos destacados durante toda a sexta edição do CIMES é a necessidade de financiamento, e esse tema também foi presente no talk show, denominado A Inovação que o Brasil já Realiza – cases de sucesso da indústria odontológica.

Caetano Barros Biagi, Vice-Presidente Executivo da Alliage, dividiu com os presentes sua preocupação com as altas taxas de juros que sua empresa, já costumeira usuária dos incentivos por órgãos públicos, como a Finep, passou a encontrar nos últimos tempos: “Já chegamos a pegar taxas de juros a 4%”, conta. “Hoje elas beiram os 10, 11%.”

E isso não foi o maior problema destacado. Paulo Costa e Silva Filho, presidente da Nacional Ossos, afirmou que, mais do que problemas com taxas de juros, algumas companhias menores não conseguem sequer ter acesso aos fomentadores de financiamentos. “Você ter uma ideia e fazer um protótipo nem sempre é complicado. Difícil mesmo é colocá-los em linha de produção, em escala, sem apoio”, lamentou.

A saída encontrada pelas empresas é a busca por financiamentos oferecidos pelos próprios fabricantes internacionais de maquinários, os quais, conscientes de que ao facilitar a aquisição de ferramentas para inovar diversos outros ganhos econômicos para o país se tornam possíveis. “O resultado disso é cada vez mais empresas brasileiras pensando em sair do Brasil, inovar e produzir lá fora para depois exportarem para o Brasil”, disse.

RISCOS PARA INOVAR

Sem subsídio e sem financiamento, inovar se torna um risco. Ainda mais em um país que demora mais de dez anos para registrar uma patente e em um mercado que não aceita, muitas vezes, que os custos da inovação estejam embutidos no preço final do produto. Eduardo Nogueira Lopes, diretor presidente da Aditek, contou, por exemplo, que teve a patente de seu produto aprovada nos Estados Unidos, anos antes de ocorrer no Brasil.

“Projetos de inovação são feitos para serem planejados e replanejados”, contou Biagi. Segundo ele, o investimento necessário para uma inovação, ainda que previsto, nunca vai estar 100% certo e é por isso que os riscos são altos. “Tivemos um produto que demorou o dobro do tempo e custou mais do que o dobro”, contou. “Porém, ele também está dando três vezes o resultado planejado; corremos o risco e deu certo.”

Mas, ciente de que nem todas as empresas podem correr esse risco, o executivo salientou: “É preciso esforço, mas que nunca deve custar o preço da vida da empresa”.

COESÃO ENTRE OS PLAYERS

Assunto abordado em outros momentos do CIMES, a falta de cultura inovadora e a cooperação entre indústria e academia também foi citada no painel.

“O relacionamento com a universidade é complicado e há certo preconceito dos acadêmicos em relação à iniciativa privada, enquanto que em todos os países inovadores do mundo isso não acontece”, acredita Mazzarolo, ao ilustrar sua posição contando que o Unitite foi desenvolvido em parceria com universidades de dois países estrangeiros: Estados Unidos e Suécia.

Para Roberto Santos Cauduro, diretor administrativo da Heal Tech, mais crítica é a diferença de time entre academia e indústria. Enquanto em uma os processos são morosos, na outra tudo precisa andar com rapidez e agilidade.

CONCORRÊNCIA E CÓPIA

A partir do momento em que uma inovação finalmente chega ao mercado, novas preocupações passam a permear a mente dos empresários. Começa, por exemplo, a pressão dos concorrentes. Passam a existir também, além das cópias legais, as cópias ilegais, principalmente no setor de implantes odontológicos, altamente pirateado.

O moderador Marco Aurélio Braga levantou essas questões e Lopes, da Aditek, afirmou que é papel dos órgãos reguladores como a Anvisa fiscalizar os ilegais, tratando isonomicamente todos os concorrentes, e que é papel das entidades setoriais, como a ABIMO, atuarem nesse sentido.

Uma inovação pode ser incremental, quando se melhora algo que já existe, mas também pode ser radical. Foi isso que Fernando Mazzarolo, presidente da SIN Implantes, contou aos presentes ao falar do produto da empresa: “Implante odontológico é algo que a maioria do mercado copia. E há oito anos começamos a pesquisar um produto que, lançado recentemente, não tem nada parecido no mercado. “O Unitite tem todo um diferencial geométrico e de cobertura que nenhum implante do mercado tem”, finalizou, ratificando que é preciso encontrar formas efetivas de diminuir as barreiras para a inovação de forma que o Brasil passe a ser menos seguidor e copiador.

Caduro acredita que outra forma de proteger as inovações está no próprio ato de inovar: “Concorrência, leal ou não, sempre vai existir, por isso que devemos sempre estar um passo à frente, com novidades, afinal ninguém copia o que é ruim”, riu.