4º CIMES discute as demandas da saúde brasileira

O segundo dia do 4º CIMES (Congresso de Inovação em Materiais e Equipamentos para Saúde), evento promovido pela ABIMO (Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios) e que acontece em São Paulo, contou com o Painel Médico-Hospitalar: Demandas da Saúde brasileira. A mesa de debate teve a participação de Maurício Alchorne, da Associação Nacional de Hospitais Privados (ANAHP); Luiz Roberto Klassmann, do Grupo Hospitalar Conceição (GHC); Charles Tocantins, diretor extraordinário do CONASEMS (Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde) e Marcello Dias Bonfim do Hospital Sírio Libanês. O painel foi moderado pelo superintende da ABIMO, Paulo Henrique Fraccaro.
O propósito do debate foi proporcionar um espaço para apresentação de modelos de saúde que os hospitais privados apresentam,assim como mostrar as dificuldades que os municípios enfrentam no atendimento público e as novas tecnologias e avanços para melhorias no conforto ao paciente. A plenária começou com o discurso de Maurício Alchorne sobre a realidade do modelo de atuação dos hospitais privados que se resume em 86% dos atendimentos direcionados aos beneficiários de planos de saúde e 12% ao sistema particular. O representante falou ainda sobre a nova cobertura obrigatória para beneficiários de planos de saúde, que passam a ter direito a 50 novos exames, consultas e cirurgias; a 37 medicamentos orais para tratamento domiciliar de câncer, além de coberturas específicas para 29 doenças genéticas.

Alchorne comentou também sobre o novo Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde, editado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o qual beneficia mais de 42 milhões de consumidores de planos de assistência médica e outros 18 milhões em planos exclusivamente odontológicos, individuais e coletivos, em todo o país. “Nós estamos vinculados ao que diz a Agência e temos que seguir o que ela prevê”.

Luiz Klassmanndestacou a atuação do Grupo Hospitalar Conceição, localizado em Porto Alegre (RS). O complexo hospitalar é constituído por sua matriz, o Hospital Nossa Senhora da Conceição S.A. e por vinte e uma filiais, é vinculado ao Ministério da Saúde com atendimento 100% SUS. “Nós conseguimos dar atenção básica aos postos de saúde comunitária, na especialidadeque cuida da saúde mental com urgência, por meio da UPA (Unidade de Pronto Atendimento);temos ainda, a escolade saúde e uma consultoria de rua com psicólogos e viaturas para atenderem moradores de rua à noite e que encaminham as pessoas para os centros de emergência”.

A demanda pelos serviços de saúde é crescente e os recursos financeiros finitos. Isso pressiona as áreas assistenciais e administrativas, exigindo maior eficiência nos meios e eficácia nos gastos. No GHC, os processos de racionalização, otimização, controle, segurança, automação, centralização e unificação de áreas e serviços foram incorporados às rotinas de gestão.“Temos a necessidade de 125 milhões de reais por ano, e não temos como sustentar essa estrutura de forma gratuita, se não tivermos uma avaliação dos equipamentos de tecnologia. Precisamos avançar de forma cautelosa, por isso criamos um grupo que discute quais tecnologias poderão ser incorporadas a partir do grupo clínico do hospital”, destacou Klassmann.

Necessidades municipais

Charles Tocantins direcionou a sua fala para a inovação e modernização no sistema básico de saúde. O Conasems representa os gestores de 5.570 municípios brasileiros e atua como interlocutor em defesa social do SUS. Segundo Tocantins, a grande maioria dos municípios brasileiros são pequenos e necessitam de mais investimentos financeiros, pois a carência dos recursos da saúde e a diminuição orçamentária, vão restringir o acesso médico-hospitalar de todos os brasileiros e consequentemente,irão diminuir o mercado nacionalna área de inovação da saúde.

“O ministério da Saúde contratou médicos para o programa Mais Médicos, mas não tem previsão para compra de novos equipamentos. No meu estado (Pará), temos mais de 30 unidades sem nenhuma possibilidade de funcionamento por falta de recursos. Temos que pressionar o Congresso, pois isso interessa não somente a nós, mas a vocês, empresários, interessados em investir. No ano que vem teremos diversas unidades de saúde fechadas por falta de recursos, cada unidade básica de saúde tem um custo de em média R$ 30 a 40 mil por mês”.

Tocantins falou ainda sobre osaltos custos com hospedagem e transporte de pacientes nos casos em que há necessidade de TFD(Tratamento Fora do Domicilio). “O problema é quando o paciente faz um procedimento cirúrgico, por exemplo, e precisa fazer uma revisão, o custo com deslocamento é alto para cidades vizinhas ou municípios mais distantes. Será que não poderíamos pensar em desenvolver telemedicina ou investir em tecnologias que proporcionassem ao médico o laudo que ele precisa sem o paciente se deslocar? ”, indagou.

Para ele, é visível a necessidade de discutir as principais carências dos pequenos municípios. O Conasems propôs uma parceria à ABIMO para reunir os gestores municipais que são responsáveis pela execução de serviços de saúde,com o intuito de apresentar as principais necessidades para melhorias no atendimento gratuito à população.

Usuário conectado

Marcello Dias Bonfim, do Sírio Libanês deu destaque aos avanços observados no desenvolvimento de novas tecnologias e a importância do acesso entre o usuário e a informação médica.“No Brasil, temos a questão da infraestrutura de conectividade que precisa melhorar, principalmente quanto ao tráfego de informações. A inviabilidade técnica pode atrapalhar a telemedicina. O setor precisa buscar parcerias com academias, fabricantes e laboratórios nacionais de dispositivos médicos para aumentar o acesso a todos os pacientes”.

Segundo Bonfim, os dados de todos trafegam na rede a todo momento, portanto é preciso tratar esses dados de forma universal e com segurança no ambiente hospitalar.É importante que na prática, os escritórios de engenharia possam se basear no registro de tecnologia médica no futuro, na inovação das plataformas e o poder de reproduzir as demandas no desenvolvimento de protocolos. “Inúmeros aplicativos e plataformas vem para incorporar e ajudar na assistência remota ao paciente”, salientou.

Parceria

Ao fim do painel, o presidente da ABIMO, Franco Pallamolla, enfatizou que promoverá um convênio entre a ABIMO e o Conasens, e aceitou o desafio de fazer reuniões com gestores dos municípios para discutir os problemas relacionados à atenção básica de saúde. “A nossa indústria tem capacidade e já produz tecnologia, por isso precisamos identificar as reais necessidades e a questão logística para dar uma gestão rápida aos municípios. É o momento de retomarmos a agenda plenária para identificar eixos de convergência, pois existe uma indústria ávida para buscar oportunidades. Talvez no próximo CIMES tenhamos casos de sucesso nessa área”, disse.

O presidente assegurou ainda que no começo deste ano, apresentou ao então ministro da Saúde, Arthur Chioro, uma agenda para elencar produtos aos serviços de estímulo ao processo, para que fosse possível enfrentar problemas de logística médica. “Nós entendemos que o poder de compra pública se direcionado, trata a redução de custos para plataformas públicas. Precisamos nos reunir com a nova equipe do Ministério da Saúde e apresentar esse assunto de maneira clara. Nós podemos criar condições de estímulo à inovação, melhorias aos municípios e mecanismos que apoiem as demandas não atendidas dos municípios”, finalizou.