Congresso com foco em inovação discute mercado de odontologia hospitalar

A 5ª edição do CIMES trouxe na tarde desta quinta-feira (18) uma discussão sobre o novo mercado da odontologia hospitalar. A mesa de debate foi moderada por Adriano Albano Forghieri, presidente da Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas (APCD), com a participação de Keller de Martini, cirurgião-dentista, especializado em odontologia em UTIs hospitalares e presidente da Câmara Técnica de Odontologia Hospitalar do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP) e Denise Caluta Abranches, cirurgiã-dentista e docente da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e especialista em Odontologia Hospitalar.

A inclusão de cirurgiões dentistas nos centros de saúde e hospitais é um debate persistente entre lideranças do setor odontológico, que sempre traz à tona a importância de profissionais especializados para a prevenção de doenças e infecções bucais no ambiente hospitalar. A prática, no entanto, sempre foi colocada às margens das políticas públicas de saúde e ainda enfrenta dificuldades diárias para se efetivar nas rotinas de centros de saúde.

No dia 5 de maio deste ano, porém, a aprovação do PLC (Projeto de Lei da Câmara) 34/2013 pela CAS (Comissão de Assuntos Sociais) do Senado Federal deu um passo à frente e fez com que profissionais do setor pudessem comemorar o avanço, já que o texto regulamenta a presença do cirurgião-dentista nas UTIs (Unidade de Terapia Intensiva) e inclui a assistência odontológica no atendimento e internação domiciliares do SUS (Sistema Único de Saúde).

A odontologia hospitalar tem como objetivo a promoção da saúde, prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças orofaciais, de manifestações bucais de doenças sistêmicas ou de consequências de seus respectivos tratamentos. A prática abrange os serviços de internações de curta ou longa duração e emergência prestadas à pacientes e realizados em hospitais gerais e especializados, hospitais universitários, maternidades, hospitais psiquiátricos, centros de medicina preventiva e outras instituições de saúde com internação.

A evolução traz aos cirurgiões-dentistas a oportunidade de realizar o trabalho necessário e de finalmente oferecer à população um serviço adequado que atenda de maneira completa as necessidades do paciente.

O PLC diz ainda que os planos de saúde que incluam internação hospitalar devem cobrir a assistência odontológica aos pacientes internados. Em todas as situações, esse atendimento vai depender do consentimento do paciente ou de seu responsável e, quando a assistência odontológica tiver de ser custeada pelo paciente, ele será informado dos custos antes de autorizar o tratamento.

Benefícios
“Os hospitais vão diminiur custos especfícos com internações. Temos que ter em mente que a odontologia não é só cabeça e boca, é preciso ter equilíbrio para uma odontologia completa”, ressaltou Forghieri.

Desde 2007, Keller De Martini atua em hospitais com foco em UTI com o intuito de inserir o cururgião-dentista dentro dos hospitais. “A ideia é trazer benefícios para o hospital e para o paciente”. De acordo com o cirurgião-dentista, o dentista no hospital melhora a qualidade de vida dos paciente, reduz o riso de contrair infecções, dimunui o tempo de internação, racionaliza o uso de antibiótico e medicações e a necessidade de exames complementares. “Com o dentista inserido no contexto hospitalar, há melhora no atendimento aos pacientes que necessitam de preparo odontológico prévio e procedimentos hospitalares”, pontuou ele.

Para Denise Abranches a saúde começa pela boca e por isso é imprensindível ter a visão do paciente como um todo. “Temos condições de ter a percepção do paciente e a condição da saúde de forma completa. Dentro desse contexto, temos uma odontologia hospitalar que mostra que o cirurgião-dentista integra a expertise para redução de custo e para melhorias na qualidade vida de quem necessidade de atendimento”, explicou Denise. “Temos aí uma inovação quanto à qualidade de vida”, complementou a cirurgiã, que ainda advertiu sobre a necessidade dos dentistas serem capacitados para atuar nessa área, pois é preciso eliminar focos de infecção no ambiente hospitalar.