Painel Médico-Hospitalar no CIMES
A quinta edição do CIMES – Congresso de Inovação em Materiais e Equipamentos para Saúde também destacou, em um talk show realizado na manhã desta sexta-feira, 19 de agosto, cinco cases de sucesso da indústria médico-hospitalar, premiados no Inova Saúde 2016. Além disso, os palestrantes aproveitaram a oportunidade para listar os principais desafios encontrados no processo inovativo e quais as ações tomadas para vencer as inúmeras e difíceis etapas enfrentadas por quem visa a inovação no segmento de saúde.
Moderando o talk show, Marco Braga, do BCOA (Braga, Carvalho & Octaviani Advogados), tomou a frente levantando o debate sobre as principais dificuldades do setor na área de inovação. “Temos aqui cinco projetos vencedores e gostaríamos de saber o que é preciso fazer para que a inovação dentro do setor de saúde dê certo. Quais os principais gargalos superados e quais lições podemos tirar disso tudo para que políticas públicas possam ser repensadas e práticas da indústria possam ser melhoradas”, comenta.
Para Moacyr Bighetti, da Medecell do Brasil, nosso país precisa se desvencilhar de questões já enraizadas no processo inovativo para deslanchar rumo ao desenvolvimento. “Um país não consegue crescer sem romper o desafio de facilitar a inovação. Temos que agregar valor aos nossos produtos”, diz ele que acredita que é necessário, também, apostar em um novo posicionamento para garantir processos e relações mais interessantes e que gerem frutos: “muitas vezes parece que não estamos do mesmo lado da mesa, mas em lados opostos. Precisamos desenvolver juntos para chegarmos ao consumidor. Temos que destravar tudo isso, mudar essa mentalidade e trabalhar a informação, a cultura e a educação. Vemos que já identificamos os problemas, temos iniciativa, vamos atrás da verba, mas falta a cultura da boa vontade para que isso funcione”.
No comparativo com os processos internacionais, o Brasil ainda tem uma desvantagem competitiva, como apresentou Bighetti. “Os EUA validam cerca de 45 mil patentes ao ano. Por aqui temos uma média anual de 450 patentes. Precisamos nos abrir um pouco mais. Durante 20 anos tivemos uma economia muito fechada, visão que mudou na década de 90. Precisamos buscar lá fora, ver que o mundo é realmente pequeno, uma aldeia global. Temos que ter coragem de buscar apoio em outros lugares, outras matérias-primas, outros fornecedores, mais conhecimento”.
Carlos Faria, da Corcam Tecnologia, concorda com o posicionamento de Bighetti e complementa sobre o atual cenário macroeconômico do país. “Vivemos uma dificuldade muito grande para negócios neste ambiente que está pouco convidativo. Temos uma taxa Selic alta que torna impensável, para o empresário, investir. Então ele prefere deixar o dinheiro no Tesouro Nacional”, afirma complementando sobre a forte atuação da Corcam em países como EUA e México: “estamos com boas propostas no exterior considerando a conversão da primeira delas em setembro no México. E isso nos enche de orgulho, pois é uma luta incessante, continuada e tensa, pois colocamos muita expectativa neste sistema que foi criado para salvar vidas”, declara a respeito do Nexcor, um sistema idealizado para levar a tecnologia existente nos hospitais e clínicas de saúde até o lugar do usuário, aproximando o paciente cardíaco do seu médico.
Ainda falando sobre os gargalos e as principais dificuldades encontradas por quem visa a inovação, Gláucia Frazzato, da Braile Biomédica, apresentou uma lista contendo pontos que precisam ser melhorados, dentre eles: as aprovações de procedimentos em convênios e no SUS, isonomia fiscal, parcerias do governo com multinacionais e a forte concorrência gerada por elas, quarentenas, impostos, burocracias para exportação, dificuldades de mão de obra específica, leis trabalhistas e todas as exigências que devem ser enfrentadas para obter a certificação europeia. “Apesar de todas as dificuldades, a Braile sempre tem coisas novas para apresentar. Enfrentamos todas as dificuldades e apresentamos coisas novas”, comenta.
A Lifemed também esteve presente no debate. Vencedora do Prêmio Inova Saúde 2016 com a Bomba de Infusão Smart Touch, uma bomba volumétrica de fácil operação que garante alta precisão e segurança na infusão de soluções em vias enterais e parenterais, foi representada por Franco Pallamolla que aproveitou o ensejo para destacar a amplitude do segmento de inovação na área da saúde. “As inovações podem vir das mais diversas áreas. Podem aparecer em função de uma nova regulação, de um fornecedor que oferta uma nova opção e, sobretudo, do usuário. É fundamental estar conectado com o usuário”, afirma.
Sobre o processo criado pela Lifemed para desenvolver a solução, Pallamolla destaca todos os players envolvidos e de grande importância para o sucesso do projeto: “Este equipamento foi desenvolvido efetivamente pelo nosso time em conjunto com o time do Hospital Albert Einstein. Este esforço conjunto da engenharia com o usuário nos fez chegar a este produto. Além disso, a segunda etapa foi fazê-lo passar por ensaios de usabilidade dentro do Hospital Sírio Libanês”, finalizou.
Durante o encerramento do painel, Luiz Calistro Balestrassi, criador do Prêmio Inova Saúde e conselheiro da ABIMO, fez um pronunciamento emocionado sobre o prêmio e as soluções nele apresentadas. Agradecendo a participação e o envolvimento de todos, disse: “esse ano tivemos 67 produtos, todos vencedores. Agradeço todos os pensamentos positivos que estão agregados a estes produtos. Aqui temos várias especialidades quebrando barreiras. A bomba de infusão da Lifemed eu custo a acreditar que foi feita pelo ser humano, pois é de uma qualidade tão grande que parece ter sido feita por entidades superiores”, declarou encerrando o painel que foi bastante aplaudido pelos presentes.
