Tecnologia disruptiva permite monitoramento não invasivo de pressão intracraniana

Sistema criado pela Braincare, não tem paralelo em nenhum outro país

Os participantes do 6º CIMES terão oportunidade de conhecer uma inovação disruptiva, 100% brasileira, que permite monitorar a pressão intracraniana sem um único corte no paciente. O sistema foi criado pela Braincare, não tem paralelo em nenhum outro país e vem obtendo reconhecimento nacional e internacional. Neste ano, ganhou o Prêmio Inova Saúde da área médico-hospitalar, promovido pela Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios (ABIMO), que realiza o Congresso. A inovação também fez da Braincare uma das sete selecionadas, entre 500 candidatas de todo o mundo, pela Singularity University, instituição do Vale do Silício (EUA) que incentiva empresas com tecnologia capaz de ter impacto na vida de mais de 1 bilhão de pessoas.

O diretor-executivo da empresa, Arnaldo Betta, ressalta que a Braincare foi a única empresa da América Latina a figurar entre as sete escolhidas. No CIMES, ele vai mostrar os diferenciais do Non-invasive Intracranial Pressure System em relação ao procedimento convencional, pelo qual é necessário abrir a cabeça do paciente para colocar um sensor por dentro, que passa a fornecer as informações aos médicos.

Já o sistema da Braincare é composto por um sensor que, colocado na área externa da cabeça, mesmo por cima do cabelo, toca uma área do cérebro que permite capturar a expansão e a contração da calota craniana, monitorando assim a pressão e enviando os dados, em tempo real, para os médicos. “É uma tecnologia disruptiva, hoje não existe nada parecido em nenhum mercado. É totalmente inovadora mesmo”, ressalta o diretor. O produto vem sendo usado para pesquisas desde 2014 e, em março deste ano, foi aprovado pela Anvisa, podendo agora ser comercializado para uso clínico.

Betta explica que a parte do monitoramento é igual nos sistemas invasivo e não invasivo. Segundo ele, o que acontece com o invasivo é que, além de monitorar, em caso de aumento de pressão, ele também alivia essa pressão.

Quando é preciso furar a cabeça do paciente para colocar o sensor é porque já foi identificado que aquela pressão não pode ser controlada de outro jeito. É possível, portanto, que o monitoramento não-invasivo detecte a necessidade de fazer a incisão.

Em contrapartida, com o novo sistema pode-se evitar o corte conhecendo de antemão a situação real da pressão. “Hoje as decisões acabam sendo baseadas em testes sem conhecimento preciso da condição interna do cérebro, por meio de perguntas aos pacientes, por exemplo. A decisão de inserir o sensor dentro da cabeça ocorre sem informação objetiva e é aí que nosso sistema atua, revelando dados para que o médico possa verificar a necessidade ou não de fazer a intervenção física”, explica o executivo.

Ele acrescenta que o sistema de monitoramento da Braincare pode ser aplicado a várias especialidades médicas que necessitam da verificação dos sinais vitais, entre elas a pressão intracraniana. Além da neurologia, a nefrologia, a cardiologia ou os procedimentos de diálise, por exemplo, podem fazer uso da tecnologia.

A seleção da empresa pela Singularity University ocorreu no final do ano passado e não envolve incentivo financeiro, mas a abertura de oportunidades como contatos com várias organizações e entidades que ajudam a entrar no mercado norte-americano. A conquista levou a Braincare a abrir uma filial nos Estados Unidos, no Estado de Delaware. “Nos Estados Unidos, nós estamos na etapa do processo regulatório e, na sequência, vamos percorrer o mesmo caminho na Europa, na Ásia, no mundo todo”, diz o diretor-executivo.

“Temos muita clareza de que esta solução pode reduzir o sofrimento dos pacientes e salvar a vida de muita gente. Então, a vocação deste sistema é global e temos um plano estratégico de atender o Brasil e sair para o mundo todo. É uma questão somente de tempo e de recursos para que possamos realizar este objetivo”, afirma Betta.