CIMES começa em SP com foco em soluções práticas para os problemas de inovação em saúde
Encontro discute anualmente novas tecnologias em saúde, enquanto representantes do governo e pesquisadores do setor propõem o aprimoramento das políticas públicas da saúde
Sob o tema Saúde 4.0 – Inovação e Conectividade, o 6º CIMES (Congresso de Inovação em Materiais e Equipamentos para Saúde), evento realizado pela ABIMO (Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios), teve em sua mesa de abertura grandes nomes nacionais e internacionais da indústria, da academia e do setor regulatório na área da saúde.
O presidente do Sinaemo e diretor titular do ComSaúde, Ruy Baumer, deu as boas-vindas a todos os presentes, ressaltando que este ano o congresso tem o maior público de todos até o momento e também a importância de debater o tema: “Temos aqui mais de 30 entidades que trabalham voltadas ao tema – órgãos de governo, centros de pesquisa e empresas – que a organização do CIMES traz no intuito de dar direcionamentos efetivos”, ressaltou. “Temos aqui as melhores cabeças para tratar desse assunto.”
BNDES e MCTIC elaboram estudo sobre IoT no Brasil
Na sequência, João Paulo Pieroni, chefe de departamento do Complexo Industrial e de Serviços de Saúde do BNDES, tomou a palavra, ressaltando a participação do banco em todas as edições do congresso. O executivo explicou que o BNDES tem a saúde como prioridade de atuação e ressaltou a necessidade de que sejam aprimorados os investimentos em inovação.
Pieroni contou que o BNDES, em parceria com o MCTIC (Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações), está apoiando um estudo para o diagnóstico e a proposição de um plano de ação estratégico para o país em internet das coisas (internet of things – IoT).
Exemplo holandês
Petra Smits, consulesa e diretora-executiva do Departamento de Ciência, Tecnologia e Inovação da Holanda, foi a palestrante seguinte e ressaltou que seu país ficou em segundo lugar no ranking dos países que melhor convertem crescimento econômico em bem-estar, segundo o Fórum Econômico Mundial. “Uma das razões é a longa história que a Holanda tem com ensino, pesquisa e desenvolvimento na área da saúde”, acredita.
Petra disse ainda que espera que os diálogos e as cooperações entre Holanda e Brasil facilitem o caminho para cuidar de questões como redução de custos aliada à qualidade e dignidade no atendimento.
Telemedicina
O diretor de comunicação do Conasems (Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde), Diego Espindola de Avila, ressaltou em sua fala a importância da tecnologia para o acesso à saúde por pessoas de cidades mais afastadas. Ele citou a iniciativa pioneira do estado do Rio Grande do Sul, onde atua também como presidente do conselho de secretarias municipais de saúde, que por meio de telemedicina disponibiliza o auxílio especializado para o atendimento a distância de pacientes vítimas de urgências e emergências cardiovasculares e que residem em áreas ou cidades de difícil acesso. “Ações similares estão sendo pensadas nas áreas de oftalmologia e neuro também”, comemorou. “A importância de termos todos os órgãos envolvidos como nesse evento é que todos temos o poder de salvar vidas, e as discussões farão com que o sistema de saúde seja mais imediato e mais eficiente”, disse ressaltando a abertura do Conasems para as discussões.
Normalização e competitividade
Na sequência, Ricardo Rodrigues Fragoso, diretor geral da ABNT, falou a respeito da importância de a normalização caminhar lado a lado com as inovações. “A adoção de normas técnicas pode resultar em aumento de competitividade e qualidade dos negócios”, disse em sua fala. “Temos certeza que esse evento, com seus painéis e temas, contribuirão muito para o desenvolvimento do setor “, finalizou.
Na mesma linha, Miguel Antonio Cedraz Nery, diretor da ABDI, também ressaltou a importância estratégica do setor de saúde para a competitividade do país. “Nossa indústria tem que avançar a passos largos no sentido de garantir um alinhamento no que temos de tecnologia avançada no mundo”, disse citando iniciativas como o a expansão do programa Brasil Mais Produtivo. “É o momento para que governo, municípios, iniciativa privada, centros de pesquisa e sociedade civil possam debater e discutir o aprimoramento das políticas públicas da saúde, tendo em vista os desafios para a promoção da inovação e da conectividade do país”, finalizou.
Regulação precisa acompanhar inovações
Jarbas Barbosa da Silva Júnior, diretor-presidente da Anvisa, foi o próximo a falar na abertura do evento e reconheceu que a regulação sanitária deve agir como catalisadora da competitividade da indústria da saúde, o que significa, ao mesmo tempo, acessibilidade à população, ratificando, porém, que a regulação sanitária deve assegurar a qualidade e a segurança dos produtos. “Esse modelo de debate desafia o órgão regulador a ser mais adaptável e flexível”, acredita.
O presidente da Anvisa disse ainda que a agência tem discutido formas de regulação para regras mais rápidas para importação de materiais de pesquisa e priorização de análises, momento muito aplaudido pelos presentes.
Ministérios participam
Representando o Ministério da Saúde, o secretário da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos, Marco Fireman, afirmou que ser empresário no Brasil é um grande desafio devido à falta de políticas públicas e que é em eventos como o CIMES que os empresários têm voz: “Toda a nossa demanda é no sentido de agilizar o setor produtivo”, disse e afirmou também que o país não pode ser reconhecido apenas pelo agronegócios. Para ele, o Brasil ainda vive um momento muito incipiente no que diz respeito à integração entre os players envolvidos: “Falta a gente conectar a inovação com universidade, centros de pesquisa e indústrias”.
Para Marcos Vinícius de Souza, secretário de Inovação e Novos Negócios do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, a escolha dos temas pela comissão científica do CIMES foi muito feliz. “Esses pontos que serão abordados estão alinhados com o que estamos discutindo no governo, dentro de três áreas de atuação”, explicou, referindo-se à portaria do MCTIC (Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações) que cria um grupo de trabalho interministerial para elaborar a Estratégia Digital Brasileira, com as prioridades do país na chamada economia digital. Ele também ressaltou o lançamento, em 1º de agosto, da consulta pública por um mês da “Estratégia Brasileira para a Transformação Digital”. Trata-se de um conjunto de diagnósticos, diretrizes e metas, para os próximos cinco anos, relacionado às áreas de governo eletrônico, infraestrutura, processos produtivos, pesquisa e desenvolvimento, confiança e ambiente digital e capacitação com foco no desenvolvimento na adoção e uso de TICs (Tecnologias de Inovação e Comunicações) por todas as camadas da sociedade e participação do Brasil na economia digital.
ATENDIMENTO ESPECIALIZADO E ENGAJAMENTO
A penúltima fala foi da secretária de estado da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Linamara Rizzo Battistella, que abordou a necessidade do engajamento do cliente, do paciente e do médico para que a conectividade funcione e faça sentido: “Estamos falando de um novo mundo onde, dentro dos objetivos do desenvolvimento sustentável, fala-se de melhor saúde para todos e qualidade de vida”, iniciou. “Quando falamos do modelo 4.0, onde o mundo digital gira mais perto do objetivo final, que é o paciente, estamos revertendo uma política hospitalocêntrica, para um atendimento cada vez mais especializado.”
Segundo a secretária, essa mudança impacta no custo, no acesso e acima de tudo, na qualidade. “Adicionar novas tecnologias à saúde tem sempre um grande significado, não apenas como na inovação, mas como garantia do acesso qualificado”, frisou.
O presidente da ABIMO, Franco Pallamolla, finalizou a mesa de abertura dizendo que o CIMES tem se consolidado efetivamente como evento que traz não somente a gama da inovação, mas também a discussão do futuro das indústrias do setor da saúde como um todo.
“Este ano nós ousamos um pouco, ao resolver trazer o tema da quarta revolução industrial”, disse. “A junção do mundo físico, com sua impressão 3D, carros autônomos e robótica, ao mundo digital, das IoTs, e ao mundo biológico provocará a mais importante revolução de todas e gerará profundas mudanças na sociedade como um todo.”
A saúde certamente é um dos setores que sofrerá os maiores impactos. É esse o prisma e o pano de fundo que a ABIMO traz hoje a este evento. “O que nós queremos é ao final dessa jornada construir uma agenda propositiva para apresentarmos à sociedade, ao governo e às entidades congêneres sobre o que devemos fazer para aproveitar essa enorme oportunidade”, finalizou.
