Em discussão no CIMES, a importância da união entre academia e indústria

Competitividade para exportar começa na coesão dos players

A competitividade Internacional da odontologia brasileira foi o tema da discussão do talk-show de odontologia no primeiro dia do 6º CIMES. Moderados por Claudio Fernandes, da Universidade Federal Fluminense e membro da ABNT/CB-26, Gabriel Isaacsson, gestor na Apex-Brasil do Projeto Brazilian Health Devices; Álvaro Della Bona, da Universidade Federal de Passo Fundo e ex-presidente da Academy of Dental Materials e Roberto Queiroz Martins Alcântara, presidente da Angelus, debateram com uma seleta plateia as dificuldades e compensações de exportar no Brasil.

Em sua apresentação, Della Bona falou dos desafios do Brasil diante do cenário global atual.  Para ele, o país deve enfrentar o desafio educacional da população e treinar seus recursos humanos com alta qualificação para consolidar uma política de ciência, tecnologia e inovação (CT&I) necessária ao desenvolvimento sustentável do país.

“Os doutores se traduzem em qualidade, se traduzem em produtos, se traduzem em produção científica qualificada, mas ela não vai para as empresas. Acredito que 138 patentes em quatro anos é muito pouco para um país que tem 106 programas de mestrados com 81 acadêmicos formando especialistas”, lamentou.

Ainda que destacando a excepcional produção cientifica do país, quando questionado se os players podem enfrentar os gargalos em prol de um cenário mais colaborador entre academia e indústria, o professor afirmou que existe um erro de essência na pós-graduação brasileira, se referindo ao fato do sistema brasileiro de educação ser criado e voltado para alimentar a academia: “Hoje não sabemos mais o que fazer com tantos doutores se formando no país, sendo todos voltados para a academia”, disse. “Por que os cursos não formam doutores para irem às empresas e para a iniciativa privada?”, questionou.

Para ele, ainda que esse cenário esteja começando a mudar por força da situação, é preciso que os doutores sejam preparados para formar sua qualidade e inteligência em prol de sua comunidade, ou seja, contribuindo de forma efetiva com a indústria e com o produto final, acessível.

Do outro lado, o da indústria, Alcântara também acredita que este setor, de modo geral, também não está preparado para receber a academia.

Com a palavra, ele abordou as dificuldades enfrentadas pela Angelus até conseguir chegar ao mercado externo. Com faturamento anual na casa de R$ 35 milhões e crescimento médio de 20% ao ano, a empresa fornece hoje seus produtos para mais de 80 países em todos os continentes, mantendo filiais nos Estados Unidos, no Chile e, em breve, no Japão.  Ele contou que o foco em inovação não foi uma decisão de negócios, mas que isso está na própria origem da empresa, tratando-se do ponto mais importante para quem quer ser competitivo dentro e fora do país.

“Vejo que o desafio que temos é o de institucionalizar um ambiente de cooperação e conseguir implantar, através das diversas parcerias dos diversos segmentos do mercado, desde a área de ciência e tecnologia, passando pelos facilitadores de investimento, a apresentação do Brasil como marca, como potência, como identidade de produto de qualidade. Nós podemos criar outros espaços semelhantes ao que a Angelus conseguiu desenvolver”, ressaltou Claudio Fernandes.

A IMPORTÂNCIA DA MARCA BRASIL PELO MUNDO

Isaacsson acredita que as empresas devem ir além da promoção comercial tradicional e que eventos como o CIMES são essenciais para que novas estratégias comecem a ser desenhadas. “Vemos como potencial, principalmente após as colocações do Álvaro, que temos nas mãos um grande trunfo de profissionais de qualidade”, disse. “É um paradigma atual uma promoção comercial mais técnica, mais ligada ao lado científico, de forma que o mercado internacional aceite a nossa imagem de inovadores de uma maneira mais natural”.

Para Fernandes, a colocação do gestor da Apex mostra a importância em se aproveitar melhor o espaço técnico que existe em nossa sociedade: “Esse é um patrimônio que precisamos aprender a usar melhor, com um foco maior na saída efetiva de produtos, para que o mercado se beneficie”, disse.

Devolvendo a palavra para o representante da Apex, o membro da ABNT destacou que devem ser desenvolvidos modelos para posicionar o Brasil como marca de ciência, tecnologia e inovação.

“Sem dúvida o trabalho de imagem é fundamental”, concordou Isaacsson. “O trabalho do nosso posicionamento como um grupo robusto é crítico para a performance individual de cada empresa no mercado exterior. É claro que cada uma vai ter seu mercado preferencial e dificuldades como um todo, mas é preciso trabalhar a imagem do Brasil de maneira ampla”.

O executivo da Apex frisou que a questão da união é muito importante, e que o mundo dos negócios não pode ser pautado em iniciativas individuais: “Quando unimos as forças, produzimos resultados melhores”.