Avanços e entraves da telemedicina serão debatidos no CIMES  

Como a tecnologia agregada pode ampliar o acesso à saúde e contribuir com a sustentabilidade do sistema

A telemedicina volta à agenda de debates do Congresso de Inovação em Materiais e Equipamentos para a Saúde (CIMES), evento que chega à sua sexta edição. Desta vez, o primeiro dos três painéis médico-hospitalares idealizados trará três profissionais especializados no assunto para levantar os principais pontos de interesse para uma aplicação tecnológica capaz de alterar o atual rumo da cadeia de saúde.

Marcado para às 16h do dia 17 de agosto, o talk-show será moderado por Eduardo Jorge Valadares, coordenador de Infraestrutura da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), e contará com as apresentações de Rens Koele, do Consulado da Holanda; e Luiz Fernando Reis, diretor do programa de pós-graduação do Hospital Sírio Libanês.

Durante o encontro que terá uma hora e meia de duração, serão levantadas as principais tendências do setor e também quais os grandes entraves para o desenvolvimento deste tipo de tecnologia aplicada à saúde no Brasil. Segundo Valadares, hoje a telemedicina, por exemplo, segue avançando graças ao conhecimento tecnológico que o país já oferece, mas as questões legais dificultam os processos. “Nosso grande gargalo não é a tecnologia em si, visto que temos uma excelente estrutura. Os grandes limitadores são a questão regulatória e o modelo de remuneração”, comenta sobre o fato de, no Brasil, a telemedicina ser autorizada apenas para o contato entre dois profissionais de saúde, jamais entre médico e paciente.

Visando ampliar o conhecimento sobre como o mundo se comporta mediante a evolução do setor, o painel trará um pouco sobre a experiência da Holanda com seu atual sistema de saúde graças à apresentação de Koele, que acredita que o globo passa, agora, por um período de estudos no que diz respeito à telemedicina. “Poucos lugares do mundo implementaram e incorporaram a telemedicina completamente em seus sistemas de saúde. Estamos em uma fase de transição e é justamente nesse momento que devemos cooperar e aprender um com o outro”, afirma.

Para Valadares, é interessante observar como a Coreia do Sul trabalha os enlaces da telemedicina. “A Coreia do Sul é um país estruturado que buscou atrelar este tipo de pensamento ao seu desenvolvimento. Uma nação que vem investindo na iniciativa da telemedicina não só na área assistencial, mas para promover seus setores tecnológicos, construindo soluções para atender à população”, explica.

Além da telemedicina, o painel também abordará a tecnologia agregada ao conceito de home care. E, neste quesito, a experiência holandesa tem muito a acrescentar aos profissionais brasileiros. Na Holanda, o monitoramento e o acesso aos dados do paciente integram uma das quatro principais metas de e-Health que estão sendo trabalhadas e serão apresentadas durante o CIMES. “Até 2019, 80% dos pacientes com doenças crônicas terão acesso direto a seus dados médicos como, por exemplo, informações de medicamentos, funções vitais e resultados de exames. Os pacientes poderão acessá-los por meio de aplicativos na internet ou no celular”, sinaliza Koele sobre como a Holanda vem atuando em prol da sustentabilidade do sistema e também da qualidade de vida do paciente.

No Brasil, o Sírio-Libanês, hospital de referência, vem trabalhando e testando de forma pontual os modelos de tecnologia aplicáveis ao home care, como garante Reis. “É necessário que o paciente permaneça o tempo estritamente necessário no hospital, mas que posteriormente possa ser monitorado à distância, especialmente no caso de tratamento de doenças crônicas”. Durante sua palestra, Reis também explicará mais sobre o laboratório de usabilidade montado pela entidade para testar em cenários bastante realísticos o funcionamento, os riscos e as oportunidades oferecidas pelos sistemas de acompanhamento em home care.

A programação do CIMES ainda envolve muitos outros debates sobre a tecnologia aplicada à saúde. O segundo painel médico-hospitalar abordará a inclusão digital e tecnologias aditivas e o terceiro será dedicado à cases de sucesso da indústria.