Congresso enfatizou a odontologia digital como oportunidade para inovação no mercado brasileiro
O primeiro painel apresentado na 5ª edição do CIMES (Congresso de Inovação em Materiais e Equipamentos para Saúde), na manhã desta sexta-feira (19), tratou sobre as oportunidades para inovação no mercado brasileiro por meio da odontologia digital. Marcos Capez, presidente em exercício do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo – CROSP, foi o moderador do debate, que contou com a participação de Claudio Fernandes, cirurgião-dentista e coordenador do Centro de Odontologia Sustentável da Universidade Federal Fluminense e Sílvio Eduardo Duailibi, cirurgião-dentista e coordenador do Laboratório de Engenharia Tecidual da Universidade Federal de São Paulo.
A busca constante por métodos de tratamento que aliem resultados estéticos e duradouros com facilidade de execução e redução de tempo, tanto para o profissional quanto para o paciente é, sem dúvida, uma característica marcante da odontologia contemporânea. A principal inovação na área é no desenvolvimento CAD/CAM de tratamentos odontológicos nos segmentos de próteses dentárias, ortodontia e cirurgia oral. “A odontologia está sendo desafiada pela crescente demanda por melhores cuidados de saúde bucal, por mais pessoas em mais países do que nunca. O sucesso será julgado por quão bem respondermos a esse desafio”, pontuou o moderador do painel.
Duailibi iniciou a sua participação lembrando do empenho e a dedicação do vice-presidente do setor de odontologia da ABIMO, Knud Hove Sorensen, em prol do desenvolvimento da área odontológica. “Knud era um entusiasta na nossa área, lembraremos com carinho desse grande amigo para sempre, pois o primeiro convite para estarmos aqui partiu dele”, lembrou o cirurgião-dentista.
A expressão CAD-CAM vem do inglês Computer Aided Design – Computer Aided Manufacturing, que traduzido para o português significa desenho assistido por computador – ou fabricação assistida por computador. Com base nesse sistema, as restaurações indiretas podem ser planejadas e criadas com auxílio do computador, eliminando o caráter artesanal desse processo que antes era realizado exclusivamente por um técnico em prótese dental. Portanto, o CAD-CAM representa a junção de conhecimentos de informática e engenharia com as necessidades da clínica odontológica: a imagem de uma restauração indireta é deslocada para um computador e em seguida sua confecção é feita por uma máquina de fresagem, atuando como uma espécie de impressora 3D.
“O Brasil já é o segundo maior produtor de tecnologia científica no mundo. A área de imagem foi a primeira a abraçar a tecnologia digital e na parte de educação à distância, a impressão 3D ainda é um futuro próximo. Essa forma de produção vai alterar definitivamente a forma como a odontologia atende a população”, destacou Claudio Fernandes.
A odontologia digital está presente em diversos segmentos da odontologia, desde as áreas de gestão administrativa, comunicação e marketing até educação continuada, pesquisa e desenvolvimento, diagnóstico por imagens, planejamento e execução de tratamentos nas áreas de estética bucal, prótese dentária, ortodontia e cirurgia oral.
Segundo Fernandes, as tecnologias digitais oferecem aos pacientes diversos benefícios, como maior controle de agendas, que aumenta a eficácia no retorno de atendimento e redução de exposição aos raios-X nos exames radiológicos, visto que os sensores digitais são mais sensíveis que os analógicos. “Nota-se também o aumento do controle de qualidade na produção de próteses dentárias. Entretanto, alguns desafios ainda merecem cautela, como os riscos de manipulação de dados e imagens clínicas, bem como a produção indevida de componentes de implantes por sistemas de CAD-CAM, sem atender às devidas exigências regulatórias ou mesmo às normas técnicas existentes ou às boas práticas de fabricação”, destacou.
Produtividade x custo
Tecnologias digitais podem aumentar consideravelmente a produtividade clínica, reduzir o desperdício e otimizar a rotina dos profissionais. Tais fatores atuam para melhorar o resultado econômico de um empreendimento de saúde tanto público quanto privado. “Existem custos elevados para conversão das rotinas convencionais para digitais, como o de equipamentos, de treinamento de funcionários e da própria capacitação da equipe técnica odontológica”, disse o professor. Segundo ele, a falta de soluções de financiamento de baixo custo e as reduzidas oportunidades de incentivo ainda tornam os custos de entrada expressivos: “Assim como aconteceu em outros mercados, as tecnologias digitais oferecem ao profissional aumento na produtividade e na qualidade dos tratamentos, além de garantir maior controle sobre a administração do consultório”, finalizou.
