Empresa odontológica de médio porte tem alcance global e é referência em biocerâmicos no mundo

Uma empresa brasileira de médio porte, com alcance global. Esta é uma das definições que resumem a história da Angelus, de Londrina (PR), especializada em soluções inovadoras para a área de odontologia. Com faturamento anual na casa de R$ 35 milhões e crescimento médio de 20% ao ano, a Angelus fornece produtos para mais de 80 países em todos os continentes, mantendo filiais nos Estados Unidos, no Chile e, em breve, no Japão. É com estas credenciais que seu fundador e presidente, Roberto Alcântara, vai abordar o tema da internacionalização de empresas brasileiras no 6º Congresso de Inovação de Materiais e Equipamentos para Saúde (CIMES), promovido pela Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios (Abimo).

Alcântara é um dentista inquieto, que ainda nos anos 90 viu nas dificuldades enfrentadas na execução do próprio trabalho não um problema, mas a oportunidade de inventar soluções que melhorassem os procedimentos de rotina. Começou criando produtos básicos e foi tomando gosto pelo desafio, até surgir, em 1994, a necessidade de fundar uma empresa com base científica e tecnológica. “O foco em inovação não foi uma decisão de negócios, mas sim a própria origem da empresa”, conta.

Especializada no segmento de consumíveis – medicamentos, produtos à base de metal, cerâmica, químicos etc. -, a empresa passou os primeiros anos trabalhando em soluções para variadas aplicações, até descobrir sua vocação: a endodontia, produtos medicamentosos para tratamento de canal e especialidade de Alcântara. A partir daí, veio pulo do gato.

Nos anos 90, a Angelus soube do lançamento, nos Estados Unidos, do MTA  (Mineral Trioxide Aggregate), uma revolução que estabeleceu o uso de cimento de construção (portland) nos procedimentos odontológicos. Alcântara explica que o produto simplesmente resolveu um dos maiores problemas enfrentados pelos dentistas, que são as perfurações acidentais da raiz do dente que podem ocorrer durante o tratamento de canal. O material mostrou eficácia de 100% no reparo destas perfurações. Apesar disto, o produto apresentava margens de melhoria. O tempo de endurecimento do cimento era de quatro horas, por exemplo. E a Angelus assumiu o desafio de aperfeiçoar isso.

Em parceria com a Votorantim, a empresa passou a fazer o mesmo produto e, após anos de estudo, foi além, conseguindo desenvolver uma combinação química que fez com que o tempo necessário para o endurecimento fosse reduzido a 15 minutos. “Este foi o produto que abriu as portas do mercado global para nossa empresa”, relata Alcântara. Com o MTA Angelus, além de os compradores passarem a contar com preços mais competitivos, a empresa ganhou nova inspiração. “Enquanto todos pararam neste produto, nós pegamos a tecnologia e transferimos para outras aplicações. Hoje somos uma referência mundial nos chamados produtos biocerâmicos, que, além de cobrir as perfurações, são bioativos, interagindo com o dente como um medicamento.”

Com base na experiência adquirida com a Angelus, Alcântara sabe que a inovação, por si só, não basta para garantir o ingresso no mercado global. No Cimes, ele pretende defender a necessidade de uma normatização de produtos odontológicos pela International Organization for Standardization (ISO). A proposta tem adesão de empresas e organizações de vários países e a Angelus é a única representante brasileira que tem participado dos debates internacionais sobre o tema. Segundo o empresário, as maiores dificuldades para ingressar em mercados do exterior não são burocráticas, mas a falta de referencial que envolve qualquer tipo de inovação.

“É preciso fazer um trabalho muito grande para comprovar a eficácia do produto e muitas vezes o país não têm normas para que possa avaliar a inovação”, explica o empresário. Uma normatização ISO de produtos biocerâmicos para a área odontológica, por exemplo, valeria para todos os países, servindo de referência para a análise e aprovação de uma infinidade de produtos.

A Angelus, vencedora em 2010 da premiação Inova Saúde, da Abimo, recebeu no dia 9 de agosto o prêmio Destaque de Comércio Exterior 2017, concedido pela Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

Competitividade global

Ao lado de Alcântara, o gestor do Projeto Brazilian Health Devices na Apex-Brasil, Gabriel Isaacsson, também irá participar do CIMES abordando o tema da internacionalização de empresas odontológicas brasileiras. Segundo Isaacsson, o Brasil está evoluindo no comércio internacional de equipamentos de saúde, e a odontologia é um dos carros chefe desta expansão. “Trabalhando no âmbito do Brazilian Health Devices, projeto de parceria entre a Apex-Brasil e a Abimo para fomentar a competitividade global das nossas empresas deste segmento, verificamos o quanto viemos incrementando nossa performance – um crescimento fundamentado na qualidade técnica do que é produzido aqui, na preocupação com aspectos de competitividade e no uso de um ferramental dedicado à melhoria constante dos nossos processos e produtos finais”.

Entretanto, de acordo com o gestor, o país ainda precisa avançar: “Temos mercados importantes para abrir e consolidar, muito trabalho a ser feito no Brasil e no exterior – e isto não deixa de ser muito estimulante”, pontua Isaacsson.