O desafio da política industrial na saúde é tema de debate em congresso com foco em inovação

Na tarde dessa segunda-feira (5), aconteceu em São Paulo o 4º CIMES (Congresso de Inovação em Materiais e Equipamentos para Saúde), promovido pela ABIMO (Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios). Durante o evento houve a plenária “Política Industrial da Saúde”, que contou com uma mesa de debate moderada pelo presidente da ABIMO, Franco Pallamolla, e composta por Eduardo Jorge, diretor de produção industrial e inovação do Ministério da Saúde; Marcus Simões, coordenador-geral do Complexo Químico e da Saúde do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior); Dirceu Barbano, ex-diretor-presidente da Anvisa; e Francisca Pontes da Costa Aquino, do Sebrae.

Há mais de 10 anos o setor vem contribuindo decisivamente para a construção de uma política industrial. Marcus Simões iniciou o seu discurso falando sobre as contribuições do MDIC para o setor de materiais e equipamentos para a saúde. O ministério acredita que esse é o momento de discutir os fatores críticos no processo industrial.

Segundo o representante, oMDIC visa inserir o Brasil de formaqualificada nas cadeias globais de valor, elevar a produtividade da indústria e dos serviços, ampliar o investimento e o adensamento produtivo na indústria. “Não podemos perder a onda da internet, a comunicação máquina a máquina, porque é uma forte tendência, e é importante que o Brasil esteja à altura, principalmente no que diz respeito à P&D, para se tornar um grande exportador, pois o mercado de saúde é o único que cresce a dois dígitos no Brasil”, disse Simões.

De acordo com Simões,a articulação entre os fatores envolvidos, notadamente entre o segmento regulatório e a área de financiamento, são fundamentais para o progresso industrial do Brasil. Uma nova política industrial está em construção e é de interesse da sociedade.

“A atuação do Sebrae se resume ao estímulo à inovação e à cadeia de valor de uma ampla proximidade com uma grande empresa. O Sebrae atua como fornecedor de amplas empresas de vários setores com mais de 20 mil empresas beneficiadas; com a inovação, as pequenas empresas acessam novos mercados, elevam a competitividade, participam de cadeias de valores e evitam desperdícios”, explicou a Sra. Francisca Aquino, do Sebrae.

Eduardo Jorge, do Ministério da Saúde, enfatizou que as evoluções tecnológicas estão condicionadas a outras áreas do conhecimento; o setor é forte e caracterizado por micro e pequenas empresas. “Temos o dever de buscar novos mercados e ampliar a participação do Brasil, melhorar o fluxo entre academia e universidades e investir em formação”, destacou.

Próximos passos

Para Dirceu Barbano, a política industrial é uma agenda concorrente com recursos. O setor precisa qualificar, induzir ou inventar uma intersetorialidade com quem faz política industrial nacional, buscar equilíbrio  na balança comercial e pensar em articular a agenda do desenvolvimento da indústria que não vá impactar no cuidado com a saúde. “Devemos balancear e programar a estratégia das empresas diante do cenário econômico, estamos no meio de uma crise séria com decréscimo de 3%, e a inflação vai voltar a subir”, advertiu. Segundo Barbano, com a dificuldade industrial da saúde, o setor deveenxergar novas oportunidades e ser menos dependente do estado. “É precisoidentificar novas oportunidades de exportação, olhar para o depois da crise, pois ela vai trazer novas oportunidades para empresas do setor de saúde. Nós vamos sair da crise com capital estrangeiro e com estruturas de estado gastando melhor o dinheiro”, salientou Barbano, que ainda destacou a necessidade de o setor pressionar a Anvisa quanto à aprovação de leis que tornem o ambiente menos pesado para a indústria.

Para o presidente da ABIMO, Franco Pallamolla, a política industrial nasceu a partir de 2007 e desde então se tornou efetivamente uma política. “Na minha avaliação, nós evoluímos muito, pois saímos de um cenário em que não havia nenhum instrumento. Temos o maior sistema de saúde universal do planeta e não temos empresas de porte porque se determina que temos que comprar pelo menor preço. Instigamos riscos, nós conseguimos com muitas discussões contornar a situação por meio das PDPs (Parcerias de Desenvolvimento Produtivo) que ainda não foram regulamentadas”. O presidente finalizou o seu discurso destacando os desafios do setor “nós criamos um sistema em que precisamos, como sociedade, enfrentar vários países que estimulam a indústria a investir em tecnologia. Eu ouço que os diversos produtos são excelentes para o mercado e para o SUS, mas não podemos colocar isso na nossa política industrial, pois há o impedimento de licitações não regulamentadas”.

_CLE9769Pallamolla enfatizou ainda que o desafio do setor é conseguir manter a política em pé. “Nós propomos uma agenda positiva para os ministérios, vamos buscar o que as prefeituras precisam e vamos dar uma resposta a esse segmento, pois a indústria está observando o que o usuário precisa. Nós não teremos produtividade e competitividade sem escala”, destacou.