Plenária Internacional: Experiência internacional de inovação e competitividade
A agenda do 5º CIMES – Congresso de Inovação em Materiais e Equipamentos para a Saúde, iniciado nesta quinta-feira, dia 18 de agosto, deu abertura ao debate sobre os melhores caminhos para a inovação no setor. Com a plenária “Experiência internacional de inovação e competitividade”, moderada pelo superintendente da ABIMO, Paulo Henrique Fraccaro, os participantes foram impactados com cases de sucesso e as melhores estratégias para inovar.
“Vamos falar sobre inovação. E inovação não está apenas em equipamentos e materiais. Está na vida. Inovação é um tema de extrema importância e acredito que ele será ainda mais comum em nossa rotina. É uma palavra que será incorporada no nosso dia a dia e tenho certeza que não sairá de moda tão cedo”, comentou Fraccaro ao mencionar algumas experiências pessoais e familiares que retratam a importância da inovação no dia a dia de cada um.
Inovar é sempre um desafio. Primeiramente pela questão de investimentos em um cenário político-econômico desfavorável; posteriormente por exigir um processo e uma gestão eficientes. Segundo Francesco Fazio, representante da Deloitte, apenas 5% dos processos inovadores têm sucesso de fato. “Por que é tão difícil inovar? Por que as empresas não têm sucesso? Há vários mitos. Muita gente acha que inovação é incentivar os engenheiros a trabalhar e descobrir ideias. Muitos apostam que é apenas criatividade, ou agilidade, ou que empresários não podem estudar inovação. Nós não acreditamos nisso. Para nós, o que faz uma boa inovação é apostar em uma abordagem multidisciplinar”, comenta Fazio.
Para o especialista, quando uma empresa investe em inovação ela não deve direcionar todos os seus esforços (e investimentos) em uma única vertente. Muitas pecam, por exemplo, ao dedicar todos os seus aportes financeiros no desenvolvimento do produto, deixando de lado outras tantas pontualidades essenciais.
Para exemplificar essa questão, Fazio citou a inovação promovida pela Ford no início do século XX, quando idealizou as primeiras linhas de montagem, barateando custos de produção e reduzindo tempo de processos. Mas, além disso, dedicou-se também a desenhar todo um processo logístico que fundamentasse a nova escala de produção. “No fundo a Ford assinalou ao menos oito características da inovação e o mais importante deles foi o canal. Quando o financeiro disse que eles precisavam mudar a forma de vender, e eles passaram a vender por meio de distribuidores e concessionárias, a mudança foi importantíssima”, diz.
Mudar esse comportamento e esse pensamento é o ponto de partida para um processo inovador bem-sucedido. “A maioria das empresas coloca todo o dinheiro no produto e inovação não tem só a ver com produto. Então, a menor chance para ganhar dinheiro é dedicar toda a verba ao produto pois a concorrência pode te copiar. Empresas que inovam seguindo cinco ou mais tipos de aplicação recebem mais retorno”, declara.
Após abordar alguns cases históricos de inovações de sucesso, Fazio se dedicou a apresentar cases recentes e com foco no segmento médico-hospitalar, destacando a inovação proposta pelo Didget Bayer que se reinventou no mercado de controle e tratamento de diabetes. Observando o aumento de casos de diabetes em crianças e jovens, a empresa criou um medidor de glicose infantil que se conecta a consoles Nintendo DS que recompensa os usuários com pontos para serem usados nos jogos. Assim, a marca conseguiu promover melhor qualidade de vida aos seus usuários estimulando a prevenção e melhorando a adesão aos tratamentos.
Para Fazio, alguns segmentos da área médico-hospitalar merecem atenção de empresas interessadas em investir: idosos e assistência no final da vida, doenças crônicas, cuidado personalizado, bem-estar e cuidados preventivos são alguns deles. “É importante ter muita curiosidade, ter empatia com os parceiros, voltar à convergência e ser mais desafiador mudando aqueles aspectos ortodoxos para aplicar modelos inovadores no dia a dia, nomear equipes multidisciplinares e pensar além do produto para inovar o serviço e identificar as oportunidades”, finalizou.
Tecnologia cognitiva agregando valor à relação médico x paciente
A apresentação de Eduardo Cipriani, da IBM, trouxe à 5ª edição do CIMES uma interessante novidade tecnológica que promete impulsionar as relações entre médicos e pacientes promovendo uma maior integração e reunião de dados de diferentes formatos. Segundo ele, podemos dividir a tecnologia da informação em três grandes eras: tabulada, programada e cognitiva.
“Em 2011 trouxemos a tecnologia cognitiva que já é realidade e vem ganhando maturidade”, comentou Cipriani antes de começar a apresentar o Watson, sistema desenvolvido pela IBM que compreende e responde à linguagem humana, interagindo de forma super dedicada e ampliando os horizontes da relação homem-máquina.
Ao visualizar a atuação do Watson na área da saúde, as possibilidades são inúmeras. Por meio deste tipo de servidor, extremamente rápido e inteligente, a classe médica ganha tempo e embasamento para tomada de decisões mais assertivas e com base em informações mais detalhadas. O Watson é capaz de oferecer, aos médicos, opções de tratamento baseadas em evidências, pois ele consegue reunir uma vasta gama de pesquisas, registros médicos e estudos clínicos.
“O Watson foi treinado para entender toda a vivência científica atual e, a partir disso, trazer todos os possíveis riscos, tratamentos, efeitos colaterais. Fornecemos essas informações ao médico e, quando ele está na consulta com seu paciente, já tem tudo isso em mãos”, declara Cipriani.
A agenda do CIMES nesta quinta-feira segue falando sobre inovação, telessaúde e odontologia hospitalar. Pelo congresso passam, anualmente, grandes nomes nacionais e internacionais da indústria e do setor para tratar de assuntos complexos do segmento de materiais e equipamentos de saúde.
