Plenária Internacional: inovação na indústria da engenharia biomédica

Na manhã desta segunda-feira (5), aconteceu em São Paulo o 4º CIMES (Congresso de Inovação em Materiais e Equipamentos para Saúde), promovido pela ABIMO (Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios). Durante o evento, a plenária Internacional: inovação na indústria da engenharia biomédica – uma visão para o futuro e como fazer parte dele foi o destaque da programação, pois contou com a participação do chefe do Departamento de Engenharia Biomédica, Igor Efimov, da George Washington University, em Washington, nos EUA e do Laboratório de Imagem Cardíaca, um laboratório especializado em pesquisa e engenharia cardiovascular.
Durante o seu discurso Efimov falou sobre dispositivos e sua aplicação em doenças cardíacas para o tratamento das principais causas de mortes, assim como o desenvolvimento da terapia do dispositivo implantável para arritmia cardíaca, que é uma das histórias de sucesso mais marcantes do século XX, e que contribuiu significativamente para mais de uma década de extensão da expectativa de vida durante o último meio século.
Segundo ele, a expectativa de vida nos EUA aumentou drasticamente nos últimos anos: “Nunca tínhamos visto números tão alarmantes; um aumento de 10 anos em relação aos pais dessas mesmas pessoas. As principais causas são a redução em mortes por doenças cardíacas, com a consequente queda em mortalidade por derrame e, por fim, o câncer, que no início dos anos 90 teve um aumento e depois um declínio não só nos EUA, mas em todo o mundo”, disse.
Efimov traçou ainda um panorama sobre os principais equipamentos de reanimação cardíaca e contou histórias de startups que cresceram no setor e hoje se tornaram grandes empresas. Contou sua experiência com a fundação da Cardialen, empresa criada para desenvolver a eletroterapia de baixa energia, com o foco principal em fibrilação atrial.
A Plenária Internacional contou também com a participação de Fábio Campos, CEO da Si2 Ventures, que falou sobre os gargalos da inovação no país, a necessidade de adaptação da indústria e as principais mudanças no mercado internacional. Ele ressaltou também sobre como as empresas devem se preparar para atender a essa demanda que vai existir e como atingir os caminhos para inovação. “A indústria deve definir qual visão atingir, assim como investir em qualificação. Deve criar um comitê interno e definir um plano estratégico. Além disso, as empresas devem estabelecer um padrão de como suas informações serão utilizadas, mudar a mentalidade de que não é possível divulgar nada, e sim divulgar com proteção, fazer parcerias com clientes e competidores”.
Durante a plenária, o superintendente da ABIMO, Paulo Henrique Fraccaro, pediu uma opinião aos palestrantes sobre como as empresas podem agir para tornar o país mais inovador, se um planejamento estratégico é a principal saída, caso um dia nos tornemos um país estável. Igor Efimov ressaltou: “É uma parceria entre indústria, governo e universidade. Mudar a cultura é muito difícil, pois há muitas unidades que resistem a mudanças. Nos EUA,houve uma queda de 20% na receita do governo; a escala é 500 bilhões e caiu drasticamente. E uma estratégia foi a parceria com a indústria. Durante o período, muitas empresas investiram mais em pesquisas. Mas para isso deve haver um consenso, um acordo mútuo, e o governo deve identificar o que é mais urgente. Precisa também, claro, ser aconselhado pela academia e pela indústria. Na França, por exemplo, o governo precisou criar seis editais para o financiamento de centros de referência, foi um esforço enorme, e esses centros criaram cursos para engenheiros e pesquisas clínicas, vindos de outros países do mundo”, disse.
O CIMES recebe grandes nomes nacionais e internacionais da indústria, academia e setor regulatório da área da saúde para dois dias de debates sobre a importância da inovação em equipamentos médicos e odontológicos. E ainda discute as novas tecnologias em medicina e odontologia, enquanto representantes do governo e pesquisadores do setor debatem e propõem o aprimoramento de políticas públicas da saúde.





