São Leopoldo apresenta projetos para o Medical Valle
Na tarde do dia 14 de agosto, a ACIS-SL participou de uma reunião na Prefeitura de São Leopoldo com lideranças locais e o professor Tobias Zobel, diretor do Instituto Central de Engenharia Biomédica da Alemanha (ZiMT), o principal complexo tecnológico para medicina da Europa. O objetivo do encontro foi apresentar a Zobel um pacote de benefícios para que São Leopoldo seja a cidade escolhida para ser a sede do Medical Valley no Brasil. O município disputa com outras três cidades brasileiras a chance de receber este polo: Ribeirão Preto/SP, Curitiba/PR e Florianópolis/SC. Conforme o professor Tobias, São Leopoldo desponta como uma das favoritas nesse processo, que poderá ser decido nas próximas semanas.
Dentre as facilidades que o município está oferecendo, está a agilização do processo de abertura legal da empresas através de um regime preferencial para a tramitação de processos e um bairro planejado para abrigar os executivos e suas famílias que irão migrar para o Brasil. “Todas estas etapas foram discutidas com os proprietários de terrenos e com investidores, estabelecendo um diálogo claro e honesto com a comunidade sobre o quanto este polo desenvolvimento será benéfico para São Leopoldo no médio e longo prazos”, destacou o prefeito Aníbal Moacir.
Há ainda o projeto Complexo Hospitalar Centenário, que abrigará, em uma área de 22 mil metros quadrados, um novo hospital, um prédio garagem, um Centro Clínico e um hotel para eventos. Como São Leopoldo está habilitada pelo Ministério da Educação para sediar um curso de Medicina, o local servirá de hospital-escola.
Tobias Zobel explicou para os dirigentes que o Medical Valley de Erlangen tem um projeto de internacionalização que tem cinco anos para ser concluído. Nos dois primeiros anos, serão avaliadas as potencialidades do Brasil, Estados Unidos e China e após a escolha, a implantação levará outros três anos.
Na avaliação do presidente da ACIS-SL, Siegfried Koelln, o Medical Valley trará para a cidade novas perspectivas econômicas, assim como foi o Tecnosinos. Ele ressalta que é preciso o apoio do poder público para que de fato as empresas investidoras aportem seus recursos na região.
A preferência por São Leopoldo ocorre por conta do movimento já realizado entre a Universidade do Vale do Rio do Sinos (Unisinos), o Hospital gaúcho Mãe de Deus e administração municipal, bem como por conta de sua localização próxima aos importantes centros de saúde de ensino situados no RS e pela vocação do Estado de abrigar polos tecnológicos.
Geração de recursos para RS
Cerca de 1 a 2 bilhões de reais são investidos anualmente na compra de tecnologias e insumos médico-hospitalares por parte da rede hospitalar gaúcha. Trata-se de um valor que acaba saindo do RS, pois os principais fornecedores encontram-se fora do Estado e/ou do Brasil. No entanto, se houvesse na região um polo ou parque tecnológico/industrial específico de desenvolvimento de soluções em saúde, grande parte desse valor ou até mesmo todo ele poderia ser investido localmente.
Para formatação desse complexo tecnológico, o Estado já dispõe de know-how e diferentes recursos de ponta na área da saúde, empresarial e acadêmica, os quais se destacam entre os melhores do país.
O RS dispõe, por exemplo, de 14 centros/polos tecnológicos; grandes hospitais públicos e privados referências em pesquisas e ensino; universidades como Unisinos, PUC, UFRGS, UFPEL, UFSM e outras; grandes companhias de tecnologia já instaladas, como Dell e Hyundai; um APL-Saúde (Arranjo Produtivo Local Especializado em Saúde) na cidade de Pelotas com empresas relevantes como Freedom, Lifemed e outras.
A partir deste cenário, o diretor de Desenvolvimento e Inovação do Sistema de Saúde Mãe de Deus, Dr. Fábio Gastal, propõe pensar a saúde como estratégia de desenvolvimento econômico para o Estado, e não apenas como política social e prestação de serviço. Segundo ele, “além de gerar os insumos tecnológicos que os hospitais e outras instituições da área necessitam, a criação desse polo pode gerar renda e empregos para o RS. O Estado dispõe de uma infraestrutura industrial relevante nas áreas de automação, microeletrônica, informática que permitem pensar nesta evolução para focar a saúde como um novo nicho. Essa ‘indústria do conhecimento’ também estimula o empreendedorismo e atrai a atenção de investidores internacionais”.
Na Alemanha, o Medical Valley reúne mais de 500 empresas, entre companhias de grande porte e startups, 16 universidades e mais de 40 instituições de saúde. A intenção é que o modelo de Erlangen se reproduza no Estado – o cluster nasce no RS envolvendo 44 entidades. Após a missão internacional, o grupo formado por organizações públicas e privadas ligadas à área da saúde trabalhou na elaboração de propostas e ações de curto, médio e longo prazos, na adoção de modelo de gestão e de indicadores e metas.
A internacionalização do Medical Valley de Erlangen está sendo desenvolvida e implementada pelo governo alemão em três países: Brasil; China e Estados Unidos. Assim, o Rio Grande do Sul, como estado escolhido para esta parceria, irá se juntar a Boston e Xangai como regiões que estarão atuando em estreita cooperação, fomentando a indústria e a pesquisa de saúde, e criando uma rede de colaboração internacional.
Fonte: http://acissl.com.br/portal/noticias/sao-leopoldo-apresenta-projetos-para-o-medical-valley/?fb_action_ids=10153555989537065&fb_action_types=og.likes&fb_ref=.VdPBHvT2lOc.like
