Tecnologias para odontologia abrem painéis desta sexta-feira no CIMES

Com convidados internacionais, talk show da manhã desbravou as novidades digitais do setor

Os próximos anos serão de grande transformação para o setor odontológico. Essa foi a percepção dada a quem participou do talk show Tecnologias Digitais para Prática Clínica e Educação: Realidade Aumentada, que, realizado na manhã desta sexta-feira durante o segundo dia do CIMES (Congresso de Inovação em Materiais e Equipamentos para Saúde), reuniu lideranças internacionais na apresentação de tecnologias capazes de otimizar processos, trazer melhorias significativas à rotina dos profissionais da área e transformar de forma profunda o ensino.

Para Claudio Fernandes, membro da ABNT/CB-26 e da Universidade Federal Fluminense, é preciso observar o contexto. “É notável como a utilização adequada da tecnologia criada para modificar a prática pode aperfeiçoar a entrega do cirurgião-dentista ao paciente. Precisamos construir caminhos mais fluidos para transferência de conhecimento”, declarou o moderador do painel.

Em termos de educação, o atual formato foi questionado, mas também teve sua importância destacada quando participantes concordaram que, embora o sistema educacional venha evoluindo, a junção entre o tradicional e o inovador ainda segue acarretando boas conquistas. “Temos que seguir as novas ideias, mas, ao mesmo tempo, avaliá-las com cuidado. O melhor desempenho é a junção dos dois formatos: aulas mais formais às aulas mais inovadoras”, declara o professor doutor Florian Beuer, mestre em Educação Médica na Universidade de Berlim e um dos convidados do encontro.

A linha entre a inclusão da tecnologia e a humanização da profissão também foi apontada durante o debate. “Não podemos perder o contato direto com o paciente”, enfatizou Beuer. “Não podemos nos deixar distrair pela parafernália técnica. Quando vou a um médico que olha apenas para a tela, e não para mim, perco a confiança. O mais importante continua sendo o contato entre o profissional e o paciente. Não podemos perder a empatia ao focar na tecnologia”, complementa.

Também participante do debate, o doutor Bernd Stadlinger, chefe de Cirurgia Oral na Faculdade de Odontologia de Zurique, na Suíça, concorda que o olhar clínico nunca deve ser deixado de lado: “Aprendemos a observar o paciente quando ele está chegando, como ele caminha, quais são suas expressões e até mesmo a força de seu aperto de mão. Jamais devemos perder isso”, menciona ele, que lembra: “As tecnologias digitais também não substituem nosso raciocínio lógico”.

O questionamento sobre como entregar conhecimento de forma mais interativa por meio de aparatos tecnológicos também atinge o nível do usuário, que deve estar aberto a receber as inovações e colocá-las em prática. “Os cirurgiões-dentistas precisam estar abertos ao uso dessas ferramentas inovadoras para que todo o cenário de fato possa acontecer”, comenta Beuer.

Visão de futuro – Da plateia, Paulo Henrique Fraccaro, superintendente da ABIMO (Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios), arriscou uma simulação: “Já que estamos falando de futuro, seria ousadia imaginar que em alguns anos teremos um robô substituindo, de fato, um cirurgião-dentista?”.

Enquanto Beuer cita que na China isso já está acontecendo e aposta que essa pode sim ser uma realidade, Stadlinger mostra-se mais cauteloso. “Pensando na questão cirúrgica, teríamos que ter um paciente imóvel, sedado. Além disso, precisamos ser flexíveis quanto a preocupações como, por exemplo, fraturas ou sangramentos. Talvez na neurocirurgia, em que há milímetros de diferença entre os tecidos, seja uma alternativa interessante. Na odontologia, creio que não.”

Demonstração tecnológica – Abrindo o talk show, os dois convidados internacionais fizeram breves apresentações sobre seus projetos, que envolvem, diretamente, tecnologia digital incluída na rotina da odontologia. O doutor Stadlinger exemplificou como a tecnologia pode contribuir com o planejamento de cirurgias e tratamentos odontológicos, bem como mostrou todo o processo de construção de vídeos técnicos amplamente detalhistas que mostram, por exemplo, a comunicação entre as células durante um processo de cicatrização implantodôntica. Esses filmes levam cerca de um ano para serem produzidos e somam mais de 225 mil imagens renderizadas. Paralelamente, o professor doutor Beuer fez ampla demonstração da ferramenta Symspace e de como ela é capaz de integrar todas as áreas da odontologia em uma única plataforma, preparando conhecimento a ser distribuído entre todos os envolvidos.